Segunda-feira, Janeiro 16, 2006


Este blog continua o mesmo. Mas o endereço...

Reeditem os favoritos, corrijam os templates e avisem aos amigos.
Saí daqui para vizinhar com gente muito bacana: o pessoal do Apostos
A partir de hoje, este meu arrebitado nariz pode ser encontrado em novo endereço: narizgelado.apostos.com
Espero vocês lá.

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Domingo, Janeiro 15, 2006


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Sexta-feira, Janeiro 13, 2006




Quero mais é urucubaca.

Hoje cedo, abri a escada de alumínio aqui de casa e passei por baixo.Também já corri atrás do gato preto da vizinha para afagá-lo.Tudo em nome da pátria amada. Se o primeiro mandatário acredita nestas coisas, não custa nada dar uma mãozinha.

O problema é que eu acho que não vai funcionar. Primeiro porque o Coronel achou ótimo encontrar a escada já a postos, pois queria trocar uma lâmpada. Segundo, porque o Tamborim ficou ronronando e se esfregando nas minhas canelas. Cinco minutos depois, eu voltava para casa com um bom pedaço do insuperável bolo de cenoura da minha vizinha.

Meu dia começou bem e, ao que tudo indica, vai continuar assim. Deve ser porque eu não acredito nestas coisas. Ou porque adoro gatos. Ou, quem sabe, porque saiu o resultado de dezembro da pesquisa Pulso Brasil, do Ipsos Opinion: Serra ampliou de 9 para 14 pontos a vantagem sobre Lula na simulação de segundo turno.Se a eleição fosse hoje, o tucano derrotaria o petista por 51% a 37%.

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006


Foi ao barbeiro e levou a imprensa.

Ontem, por volta das 18 horas, começaram a surgir fotos de Aldo Rebelo na internet.

Não, o presidente da Câmara não estava dando uma coletiva. Nem presidindo alguma sessão. Tão pouco convocara a imprensa para falar de algum assunto importante que diga respeito àquela casa. Aldo Rebelo foi ao barbeiro.

Simplesmente isso. Nada mais do que isso. E o motivo pelo qual um momento tão íntimo e comum deva ser acompanhado por fotógrafos profissionais da nossa imprensa permanece, pelo menos para mim, um mistério.

Não sei se a imprensa foi convocada pela assessoria da Câmara - ou se os fotógrafos que cobrem a vida política em Brasília, entediados com este interminável janeiro, resolveram brincar, espontanemanete, de paparazzi. Gostaria de saber. Não porque me interessem os asseios de Aldo Rebelo mas porque, como sugeriu Balzac, deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir .

Mas já que está consumado o fato, talvez devêssemos estimular a realização de um grande evento na Câmara Federal: barbeiros seriam levados até aquele recinto a fim de realizar, para a delícia dos telespectadores da TV Câmara, uma faxina completa e coletiva. A imagem teria força metafórica. Faz tempo que a política nacional anda precisando daquilo que, no jargão popular, se chama de "serviço completo": barba, cabelo e bigode.

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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006


Houve uma vez um verão.

O título do post é a versão tupiniquim para o clássico Summer of 42, dirgido por Robert Mulligan.
Por uma razão qualquer, lembrei do título quando li que, nos primeiros dias de janeiro, Luiz Gushiken e José Genoino foram vistos fazendo longas caminhadas em uma praia próxima a Ubatuba, no litoral paulista.
Certamente que, para ambos, este será um verão inesquecível, repleto de interrogações e melancolia. "Onde foi que erramos?", deve estar se perguntando um. "Ainda há chances?", deve questionar-se o outro.
Na minha opinião, estão a construir castelos de areia. Ainda que haja chances para Lula, é improvável que elas incluam os dois veranistas.

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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


A mentira como método.

O que pensar de um presidente que se diz apunhalado pelas costas, que afirma querer apurar todas as denúncias de corrupção, mas cujo governo está tratando a pão-de-ló os principais suspeitos de envolvimento com o Valerioduto?

Pois é exatamente isso o que está acontecendo: os 18 parlamentares da base de sustentação do governo suspeitos de terem sido beneficiados pelo esquema de Marcos Valério tiveram quase todas as emendas orçamentárias atendidas pela União. De acordo com o site Contas Abertas os campeões em conseguir passar emendas exclusivas são Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Mentor e João Magno.

Conforme avançam os meses, o discurso do presidente Lula vai ficando menos verdadeiro - ou, pelo menos, vai ficando evidente que há uma imensa lacuna entre o que o presidente fala e as ações de seu governo. Esta postura - que, incialmente, quando Lula dizia querer apurar tudo, mas tentou impedir a realização da CPI dos Correios, poderia parecer apenas um ato falho - está se desenhando claramente como um método. E é um método dos mais vulgares em política: há um discurso para as massas e há a articulação política.

Ontem, uma matéria do Estadão dava conta de que o governo anda procurando um novo slogan publicitário para enfrentar o ano eleitoral. Não me ocorre qualquer frase de impacto. Mas, com certeza, em termos de logomarca, o governo poderia negociar com a Disney para adotar o personagem Pinóquio.

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Sábado, Janeiro 07, 2006


"Com o engodo de uma mentira, pesca-se uma carpa de verdade."

William Shakespeare

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Sexta-feira, Janeiro 06, 2006


Da vida à política

"O importante na vida é aprender a usar seus direitos de forma construtiva, e não para criar cizânia e não levar a resultado nenhum"

A declaração acima é do senador Delcídio Amaral, Presidente da CPI dos Correios, ao comentar a possibiidade do PT apresentar um relatório paralelo ao final dos trabalhos daquela CPI. Os "direitos" a que se refere o senador, dizem respeito ao regimento do Congresso, que permitiria este tipo de estratégia por parte do PT - ou de qualquer outro partido.

Me parece que o senador está confundindo as coisas: vida e política estão, muitas vezes, separadas por quilômetros de diferenças - a maioria delas, advindas de questões éticas.

Vida é a família, os afetos, os sonhos, os amigos e as realizações pessoais de cada um. Naquilo que normalmente conhecemos como vida, algumas posturas são inadmissíveis já que, quando adotadas, provocam rupturas - por vezes definitivas.

A política, ao contrário, parece aceitar tudo. Se levarmos em conta a nossa política nacional, então, veremos que nada é suficientemente grave para provocar grandes conseqüências: das alianças eleitorais entre inimigos, passando por chantagens e traições, e caindo na simples e velha roubalheira - nada parece constranger aqueles senhores engravatados que dizem defender os interesses do povo.

Delcídio Amaral tem jeito de ser uma boa pessoa. Mas não parece saber muito bem onde está metido. Nem em termos de ambiente e, muito menos, em temos de partido.

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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


Sacolinha no Plenário.

Pelos meus cálculos, o PT vai faturar pelo menos cerca de R$ 300 mil com a convocação extraordinária da Câmara Federal.

Como já se sabe, o partido recolhe 20% do valor recebido por seus deputados. E a lista dos deputados que abriram mão de receber o extra está em 18. Logo, até o presente momento, é de 64 o números daqueles que vão auxiliar diretamente os cofres da legenda.

Ocorre que também aqueles que decidiram doar o valor a entidades filantrópicas deverão pagar o dízimo: segundo o Painel da Folha de São Paulo, Vicentinho (SP) planejava doar R$ 9.300 para duas instituições, mas o partido ficará com R$ 1.862.

Do jeito que o PT anda precisando de dinheiro, não sei se a lista de desistentes vai aumentar.

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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006


Impossível não notar

No dia 23 de dezembro, enquanto o congresso jazia às moscas, observamos que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) estava trabalhando - e que foi visto deixando a sala da CPI dos Correios.

Pois hoje eu leio no Painel da Folha que os deputados Vadão Gomes (PP-SP) e Wanderval Santos (PL-SP) já estão quase comemorando suas absolvições no Conselho de Ética: os relatores de seus respectivos processos desapareceram de Brasília desde as vésperas do Natal.

Por outro lado, Pedro Corrêa (PP/PE) tem motivos de sobra para ficar nervoso: Carlos Sampaio, relator do processo, promete entregar o texto final de Corrêa no dia 10.

Deve ter leitor achando que virei assessoria de imprensa do deputado Sampaio. Mas é impossível não notar o bom trabalho que ele vem desenvolvendo desde o início desta crise. E se eu bato nos maus políticos - Ideli Salvatti que o diga - não há porque não afagar aqueles que apresentam uma postura exemplar.

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Terça-feira, Janeiro 03, 2006


O rubro e o rubro-negro

Depois de horas de depoimentos, acaba de sair a primeira informação interessante da CPI dos Correios: o Deputado Silvio Torres (PSDB/SP), informa que o Instituto Florestan Fernandes é o segundo maior beneficiado pelos patrocínios da Petrobrás.

O Instituto, que foi fundado em julho de 1999 por iniciativa do diretório paulistano do PT - e que já teve Marta Suplicy na presidência - recebeu, só em 2005, mais de 8 milhões de reais da Petrobrás.

Nas contas da estatal, o IFF só perde para os montantes destinados ao Flamengo.

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Segunda-feira, Janeiro 02, 2006


Entrevista com Vampiro.

Quem não lembra do célebre romance de Anne Rice, que foi parar na telona pelas mãos do diretor Neil Jordan?

Louis de Pointe du Lac é um vampiro que nada sabe sobre sua condição ou sobre como tornou-se o que é. Ao conceder uma entrevista, ele relembra partes significativas de sua vida - sempre evidenciando sua insatisfação com esta existência que mais parece uma morte eterna.

Louis não mente. E é na franqueza de suas palavras que percebemos a crueldade da sua condição. Há, em suas confissões ao jornalista, um horror evidente à sangria humana que deve promover para continuar existindo. Há, em seu depoimento, uma rejeição visceral a este mal que faz com que ele fique preso a uma mesma idade - e um horror maior ainda ao ver que nem mesmo as crianças, como a vampira Cláudia bem o mostra, são poupadas.

Sou simpática a este Louis de Anne Rice.

Não posso dizer o mesmo do evasivo vampiro de Bial. Tal qual Pointe du Lac, ele ainda não entendeu sua condição. Mas, ao contrário deste, parece sempre afoito a promover uma sangria. E, pasmem vocês, não parece preocupado em poupar nem mesmo as crianças.

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377 milhões de suspeitas

O Estado de São Paulo de hoje informa que teve acesso a um levantamento confidencial da CPI dos Correios. Nele, os técnicos apontam a movimentação de R$ 377 milhões, sem qualquer informação sobre beneficiários ou depositantes, na conta de uma das empresas do publicitário Duda Mendonça. Há evidências de que as saídas de dinheiro - identificadas apenas como payment - coincidem com os depósitos do Palácio do Planalto e da Petrobrás, com os quais o publicitário tinha contrato.

Parece, pois, que começa a render frutos aquele trabalho de "formiguinha" de que nos falava Osmar Serraglio. Freqüentemente, no período dos depoimentos bombásticos, o relator avisava que as investigações mais definitivas seriam lentas e minuciosas - e que era preciso ter paciência.

Ponto, portanto, para os parlamentares que votaram pela prorrogação desta CPI, permitindo que tal trabalhe se realize.

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