Segunda-feira, Janeiro 16, 2006


Este blog continua o mesmo. Mas o endereço...

Reeditem os favoritos, corrijam os templates e avisem aos amigos.
Saí daqui para vizinhar com gente muito bacana: o pessoal do Apostos
A partir de hoje, este meu arrebitado nariz pode ser encontrado em novo endereço: narizgelado.apostos.com
Espero vocês lá.

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Domingo, Janeiro 15, 2006


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Sexta-feira, Janeiro 13, 2006




Quero mais é urucubaca.

Hoje cedo, abri a escada de alumínio aqui de casa e passei por baixo.Também já corri atrás do gato preto da vizinha para afagá-lo.Tudo em nome da pátria amada. Se o primeiro mandatário acredita nestas coisas, não custa nada dar uma mãozinha.

O problema é que eu acho que não vai funcionar. Primeiro porque o Coronel achou ótimo encontrar a escada já a postos, pois queria trocar uma lâmpada. Segundo, porque o Tamborim ficou ronronando e se esfregando nas minhas canelas. Cinco minutos depois, eu voltava para casa com um bom pedaço do insuperável bolo de cenoura da minha vizinha.

Meu dia começou bem e, ao que tudo indica, vai continuar assim. Deve ser porque eu não acredito nestas coisas. Ou porque adoro gatos. Ou, quem sabe, porque saiu o resultado de dezembro da pesquisa Pulso Brasil, do Ipsos Opinion: Serra ampliou de 9 para 14 pontos a vantagem sobre Lula na simulação de segundo turno.Se a eleição fosse hoje, o tucano derrotaria o petista por 51% a 37%.

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006


Foi ao barbeiro e levou a imprensa.

Ontem, por volta das 18 horas, começaram a surgir fotos de Aldo Rebelo na internet.

Não, o presidente da Câmara não estava dando uma coletiva. Nem presidindo alguma sessão. Tão pouco convocara a imprensa para falar de algum assunto importante que diga respeito àquela casa. Aldo Rebelo foi ao barbeiro.

Simplesmente isso. Nada mais do que isso. E o motivo pelo qual um momento tão íntimo e comum deva ser acompanhado por fotógrafos profissionais da nossa imprensa permanece, pelo menos para mim, um mistério.

Não sei se a imprensa foi convocada pela assessoria da Câmara - ou se os fotógrafos que cobrem a vida política em Brasília, entediados com este interminável janeiro, resolveram brincar, espontanemanete, de paparazzi. Gostaria de saber. Não porque me interessem os asseios de Aldo Rebelo mas porque, como sugeriu Balzac, deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir .

Mas já que está consumado o fato, talvez devêssemos estimular a realização de um grande evento na Câmara Federal: barbeiros seriam levados até aquele recinto a fim de realizar, para a delícia dos telespectadores da TV Câmara, uma faxina completa e coletiva. A imagem teria força metafórica. Faz tempo que a política nacional anda precisando daquilo que, no jargão popular, se chama de "serviço completo": barba, cabelo e bigode.

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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006


Houve uma vez um verão.

O título do post é a versão tupiniquim para o clássico Summer of 42, dirgido por Robert Mulligan.
Por uma razão qualquer, lembrei do título quando li que, nos primeiros dias de janeiro, Luiz Gushiken e José Genoino foram vistos fazendo longas caminhadas em uma praia próxima a Ubatuba, no litoral paulista.
Certamente que, para ambos, este será um verão inesquecível, repleto de interrogações e melancolia. "Onde foi que erramos?", deve estar se perguntando um. "Ainda há chances?", deve questionar-se o outro.
Na minha opinião, estão a construir castelos de areia. Ainda que haja chances para Lula, é improvável que elas incluam os dois veranistas.

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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


A mentira como método.

O que pensar de um presidente que se diz apunhalado pelas costas, que afirma querer apurar todas as denúncias de corrupção, mas cujo governo está tratando a pão-de-ló os principais suspeitos de envolvimento com o Valerioduto?

Pois é exatamente isso o que está acontecendo: os 18 parlamentares da base de sustentação do governo suspeitos de terem sido beneficiados pelo esquema de Marcos Valério tiveram quase todas as emendas orçamentárias atendidas pela União. De acordo com o site Contas Abertas os campeões em conseguir passar emendas exclusivas são Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Mentor e João Magno.

Conforme avançam os meses, o discurso do presidente Lula vai ficando menos verdadeiro - ou, pelo menos, vai ficando evidente que há uma imensa lacuna entre o que o presidente fala e as ações de seu governo. Esta postura - que, incialmente, quando Lula dizia querer apurar tudo, mas tentou impedir a realização da CPI dos Correios, poderia parecer apenas um ato falho - está se desenhando claramente como um método. E é um método dos mais vulgares em política: há um discurso para as massas e há a articulação política.

Ontem, uma matéria do Estadão dava conta de que o governo anda procurando um novo slogan publicitário para enfrentar o ano eleitoral. Não me ocorre qualquer frase de impacto. Mas, com certeza, em termos de logomarca, o governo poderia negociar com a Disney para adotar o personagem Pinóquio.

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Sábado, Janeiro 07, 2006


"Com o engodo de uma mentira, pesca-se uma carpa de verdade."

William Shakespeare

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Sexta-feira, Janeiro 06, 2006


Da vida à política

"O importante na vida é aprender a usar seus direitos de forma construtiva, e não para criar cizânia e não levar a resultado nenhum"

A declaração acima é do senador Delcídio Amaral, Presidente da CPI dos Correios, ao comentar a possibiidade do PT apresentar um relatório paralelo ao final dos trabalhos daquela CPI. Os "direitos" a que se refere o senador, dizem respeito ao regimento do Congresso, que permitiria este tipo de estratégia por parte do PT - ou de qualquer outro partido.

Me parece que o senador está confundindo as coisas: vida e política estão, muitas vezes, separadas por quilômetros de diferenças - a maioria delas, advindas de questões éticas.

Vida é a família, os afetos, os sonhos, os amigos e as realizações pessoais de cada um. Naquilo que normalmente conhecemos como vida, algumas posturas são inadmissíveis já que, quando adotadas, provocam rupturas - por vezes definitivas.

A política, ao contrário, parece aceitar tudo. Se levarmos em conta a nossa política nacional, então, veremos que nada é suficientemente grave para provocar grandes conseqüências: das alianças eleitorais entre inimigos, passando por chantagens e traições, e caindo na simples e velha roubalheira - nada parece constranger aqueles senhores engravatados que dizem defender os interesses do povo.

Delcídio Amaral tem jeito de ser uma boa pessoa. Mas não parece saber muito bem onde está metido. Nem em termos de ambiente e, muito menos, em temos de partido.

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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


Sacolinha no Plenário.

Pelos meus cálculos, o PT vai faturar pelo menos cerca de R$ 300 mil com a convocação extraordinária da Câmara Federal.

Como já se sabe, o partido recolhe 20% do valor recebido por seus deputados. E a lista dos deputados que abriram mão de receber o extra está em 18. Logo, até o presente momento, é de 64 o números daqueles que vão auxiliar diretamente os cofres da legenda.

Ocorre que também aqueles que decidiram doar o valor a entidades filantrópicas deverão pagar o dízimo: segundo o Painel da Folha de São Paulo, Vicentinho (SP) planejava doar R$ 9.300 para duas instituições, mas o partido ficará com R$ 1.862.

Do jeito que o PT anda precisando de dinheiro, não sei se a lista de desistentes vai aumentar.

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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006


Impossível não notar

No dia 23 de dezembro, enquanto o congresso jazia às moscas, observamos que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) estava trabalhando - e que foi visto deixando a sala da CPI dos Correios.

Pois hoje eu leio no Painel da Folha que os deputados Vadão Gomes (PP-SP) e Wanderval Santos (PL-SP) já estão quase comemorando suas absolvições no Conselho de Ética: os relatores de seus respectivos processos desapareceram de Brasília desde as vésperas do Natal.

Por outro lado, Pedro Corrêa (PP/PE) tem motivos de sobra para ficar nervoso: Carlos Sampaio, relator do processo, promete entregar o texto final de Corrêa no dia 10.

Deve ter leitor achando que virei assessoria de imprensa do deputado Sampaio. Mas é impossível não notar o bom trabalho que ele vem desenvolvendo desde o início desta crise. E se eu bato nos maus políticos - Ideli Salvatti que o diga - não há porque não afagar aqueles que apresentam uma postura exemplar.

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Terça-feira, Janeiro 03, 2006


O rubro e o rubro-negro

Depois de horas de depoimentos, acaba de sair a primeira informação interessante da CPI dos Correios: o Deputado Silvio Torres (PSDB/SP), informa que o Instituto Florestan Fernandes é o segundo maior beneficiado pelos patrocínios da Petrobrás.

O Instituto, que foi fundado em julho de 1999 por iniciativa do diretório paulistano do PT - e que já teve Marta Suplicy na presidência - recebeu, só em 2005, mais de 8 milhões de reais da Petrobrás.

Nas contas da estatal, o IFF só perde para os montantes destinados ao Flamengo.

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Segunda-feira, Janeiro 02, 2006


Entrevista com Vampiro.

Quem não lembra do célebre romance de Anne Rice, que foi parar na telona pelas mãos do diretor Neil Jordan?

Louis de Pointe du Lac é um vampiro que nada sabe sobre sua condição ou sobre como tornou-se o que é. Ao conceder uma entrevista, ele relembra partes significativas de sua vida - sempre evidenciando sua insatisfação com esta existência que mais parece uma morte eterna.

Louis não mente. E é na franqueza de suas palavras que percebemos a crueldade da sua condição. Há, em suas confissões ao jornalista, um horror evidente à sangria humana que deve promover para continuar existindo. Há, em seu depoimento, uma rejeição visceral a este mal que faz com que ele fique preso a uma mesma idade - e um horror maior ainda ao ver que nem mesmo as crianças, como a vampira Cláudia bem o mostra, são poupadas.

Sou simpática a este Louis de Anne Rice.

Não posso dizer o mesmo do evasivo vampiro de Bial. Tal qual Pointe du Lac, ele ainda não entendeu sua condição. Mas, ao contrário deste, parece sempre afoito a promover uma sangria. E, pasmem vocês, não parece preocupado em poupar nem mesmo as crianças.

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377 milhões de suspeitas

O Estado de São Paulo de hoje informa que teve acesso a um levantamento confidencial da CPI dos Correios. Nele, os técnicos apontam a movimentação de R$ 377 milhões, sem qualquer informação sobre beneficiários ou depositantes, na conta de uma das empresas do publicitário Duda Mendonça. Há evidências de que as saídas de dinheiro - identificadas apenas como payment - coincidem com os depósitos do Palácio do Planalto e da Petrobrás, com os quais o publicitário tinha contrato.

Parece, pois, que começa a render frutos aquele trabalho de "formiguinha" de que nos falava Osmar Serraglio. Freqüentemente, no período dos depoimentos bombásticos, o relator avisava que as investigações mais definitivas seriam lentas e minuciosas - e que era preciso ter paciência.

Ponto, portanto, para os parlamentares que votaram pela prorrogação desta CPI, permitindo que tal trabalhe se realize.

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Sábado, Dezembro 31, 2005




Ah! Os relógios!
Mário Quintana

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Ps.: Que em 2006 a gente aprenda a olhar menos para o relógio. E a valorizar cada segundo como se fosse único. Pois é exatamente assim que é. Feliz Ano Novo. N.G.

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Sexta-feira, Dezembro 30, 2005



Resoluções de Ano Novo.

Fazer aquele passeio de escuna em torno da ilha.
Ir dormir mais cedo para acordar mais cedo.
Passar algumas madrugadas papeando com os amigos na web.
Bater no governo Lula.
Aprender a beber carménère sem fazer careta.
Ir a New York para um café da manhã no Odessa da Avenue A.
Ouvir mais.
Bater no governo Lula.
Conseguir uma cópia legendada de Le Roi Danse para trabalhar em sala de aula.
Comer mais verduras.
Papear longamente com o seu Lobo, lá da Praia do Forte.
Cerveja, em maio ou junho, no Bairro Santa Cruz, em Sevilla.
Bater no governo Lula.
Arrumar mais tempo para beijar meus sobrinhos.
Ir a São Paulo para abraçar alguns amigos.
Ensinar minha mãe a usar o MSN.
Bater no governo Lula.
Aprender a falar mais baixo.
Comprar uns CDs de bossa nova.
Descobrir uma nova receita de salmão.
Ir a Brasília para a posse de Serra ou Alckmin.

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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005


Quem não te conhece que te compre.

"Quem tratou de maneira mais correta e republicana os movimentos sociais, sejam eles de empresários ou de trabalhadores?"

A frase acima integra o artigo de Tarso Genro para a edição de hoje da Folha de São Paulo. Ensaiando uma análise da atual crise política - ao mesmo tempo em que tenta sugerir,ao PT, uma estratégia de debate para a futura campanha presidencial - Genro busca evidenciar pontos positivos que, devidamente explorados, podem levar Lula à reeleição.

Embora se esforce para manter um tom moderado, o ex-ministro da Educação derrapa na ladainha que tem perpassado todo o discurso petista desde que eclodiram os primeiros escândalos de corrupção no governo Lula: acusar a imprensa de golpismo - esta imprensa que, segundo ele, "é predominantemente apoiadora do PSDB ou do PFL".

Eu sei que acabo batendo sempre na mesma tecla. Mas é impossível não fazê-lo quando o outro lado insiste em repetir à exaustão, um mesmo e falso argumento - como se isto pudesse transformá-lo em verdade. Basta ler os jornais de 2003 para ver que a maior parte da imprensa esteve em lua de mel com Lula e com o PT. O problema é que a imprensa não é partido - e não pode se negar a investigar e divulgar determinados fatos simplesmente porque eles são desfavoráveis ao governo.

Não que o governo não tenha tentado tal façanha.

Lembrem-se da tentativa de expulsar o jornalista norte-americano que escreveu sobre os hábitos etílicos do presidente. Recordem o empenho em nos fazer engolir o Conselho de Jornalismo. Busquem na memória a reação agressiva do presidente que, ao ver fracassada esta última tentativa, chamou aos jornalistas de "covardes".

Daí me respondam se podemos confiar na "maneira correta e republicana" de Tarso Genro.

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Quarta-feira, Dezembro 28, 2005


O desastre Lula e a situação de emergência

Em 2000, quando Fernando Henrique Cardoso instituiu o Plano Nacional de Defesa Civil, que estabeleceu que, a exemplo dos países desenvolvidos, o foco seria a redução de desastres, já parecia antever a catástrofe Lula.

Lula, por sua vez, ao sancionar o Decreto Lei 5.376, em 17 de fevereiro de 2005, regulamentando o Plano e criando o SINDEC, Sistema Nacional de Defesa Civil, não imaginava que estaria no meio de um furacão no final do ano.

O Decreto estabeleceu que "situação de emergência é o reconhecimento pelo poder público de situação anormal, provocada por desastres, causando danos superáveis pela comunidade afetada". Nada a ver com o atual desastre de gestão das estradas brasileiras.

O Decreto criou o SINDEC, Sistema Nacional de Defesa Civil, que sob coordenação do Ministério da Integração Nacional, não tem entre as suas prerrogativas consertar buracos em rodovias, a não ser buracos causados pela queda de estrelas ou de meteoros. O Artigo 15, Inciso V, é transparente: "ao Ministério dos Transportes cabe adotar medidas de preservação e de recuperação dos sistemas viários e terminais de transportes terrestres, marítimos e fluviais, em áreas atingidas por desastres, bem como controlar o transporte de produtos perigosos".

O mais interessante: o Decreto Lei 5.376 deixa claro que não compete ao Governo Federal decretar uma situação de emergência.

A decretação é feita pelo Município, homologada pelo Governo Estadual e somente posteriormente reconhecida pelo Governo Federal, quando isto é solicitado pelo Governo do Estado em função de falta de recursos para atendimento ao desastre.

Logo, o Desastre Lula vai realmente ter que enfrentar outra situação de emergência: terá que licitar, pela velha e boa Lei 8666 os R$ 200 milhões que pretendia despejar nos buracos das estradas brasileiras - coisa que possivelmente pretendia fazer sem licitação, pelas mãos caridosas de empreiteiras amigas, em pleno ano eleitoral.

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Eu, FHC, Delcídio e Serraglio

O jornalista Jorge Bastos Moreno está promovendo, desde a semana passada, uma enquete em seu blog. Moreno quer saber quem foi a "Personalidade do Ano em 2005". Às vésperas do Natal, passei por lá para votar no Noblat - faz tempo que escolhi um lado nesta pseudo batalha que os dois encenam.

Pois hoje, para meu completo espanto, recebo um e-mail comunicando que também estou no páreo.

Na prévia publicada ontem, apareço com três votos. É uma posição e tanto, se considerarmos que eu a estou dividindo com Fernando Henrique Cardoso, Osmar Serraglio, Delcídio Amaral, Bento XVI e o senador Mão Santa. É verdade que também empatei com o Touro Bandido - mas considerem que ele não deixa de ser uma estrela global.

Não pedirei votos. Já acho demais ter chegado a tanto. Apenas agradeço aos três leitores - cujos nomes é impossível recuperar no sistema do Moreno - a carinhosa lembrança.

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Terça-feira, Dezembro 27, 2005



Desapego

Encerrado o prazo para os deputados abrirem mão dos R$25 mil correspondentes a convocação de janeiro, temos um total de 28 nomes que se negaram a receber o dinheiro. Alguns optaram apenas por não receber. Outros, fizeram doações a entidades filantrópicas. Há, ainda, aqueles que se atrasaram ao requerer o cancelamento do valor junto à diretoria-geral da Câmara, mas que pretendem doar o dinheiro - caso de Luciana Genro (PSol-RS) e Raul Jungmann (PPS-PE).

No Senado, o prazo para a desistência de recebimento do salário extra encerra em duas semanas - e é prováel que a atual lista, que conta com apenas quatro nomes, venha a crescer.

Este é um daqueles momentos em que a gente não sabe se comemora ou emite impropérios. Porque, por mais que concordemos que o pagamento de extras a parlamentares é um absurdo, sabemos que muitos irão se aproveitar da situação para fazer demagogia. É, por exemplo, sintomático que o PT - após passar o ano envolvido em denúncias de corrupção - esteja liderando a lista dos parlamentares que abriram mão de receber o dinheiro. De qualquer forma, parece que há um estatuto do Partido dos Trabalhadores que proibe o recebimento deste tipo de vantagem - o que diminui o impacto dos que já abriram mão, ao mesmo tempo em que nos obriga a questionar sobre o silêncio dos demais parlamentares petistas.

Numa situação como essa, o ideal é que a súbita demonstração de desapego pudesse ser cruzada com outras informações a respeito dos parlamentares. Então, talvez, o eleitor pudesse separar o joio do trigo, identificando quais são os nomes realmente sérios destas listas. Mas, em um país com baixíssimos índices de escolaridade e leitura, informações mais detalhadas são artigo de luxo. Logo, o que restará destas listas é o de sempre: artilharia para jocosos discursos de campanha.

Acompanhe a atualização das listas de deputados e senadores que estão desistindo de receber o valor em questão no Blog do Noblat.

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Uma boa surpresa.

No dia de ontem, a despeito da convocação extraordinária, os corredores do congresso nacional estavam vazios. A debandada dos parlamentares foi geral e até o deputado Ricardo Izar, presidente do Conselho de Ética da Câmara - que batera pé pela convocação extraordinária - saiu de férias.

Contudo, pelo menos um deputado permaneceu em Brasília. E esteve trabalhando: o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) foi visto, ontem à tarde, deixando a sala da CPI dos Correios. Ele teria ido buscar o relatório divulgado semana passada pelo deputado Osmar Serraglio. Sampaio é o relator, no Conselho de Ética, do processo de cassação do deputado Pedro Corrêa (PP/PE) - e estava atrás de informações para o processo.

Não é a primeira vez que me surpreendo positivamente com o deputado Sampaio. E lamento por não votar em São Paulo.

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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005




Síntese da felicidade
Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu

Ps.: Viajo para ver a família. Retornarei para o Ano Novo.
Que os desejos de Drummond caiam sobre nós como divinas ordens.
Bom Natal. N.G.

23/Dez/2005, 15h09min.

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De comentarista a blogueiro.

Ele, que já causava furor comentando lá no Noblat, agora tem uma casa só para si.
Blogueiros e demais amigos da web, abram alas pois o Soube pede passagem.

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Quinta-feira, Dezembro 22, 2005




Pacotes

Enquanto estive às voltas com fitas e presentes, Osmar Serraglio entregou seu pacotão ao Brasil.

Nada que a gente já não soubesse: o relator da CPI dos Correios atesta que houve mensalão - quiçá um "semanadão" - e que é provável que tenha sido pago com dinheiro público advindo, principalmente, do Banco do Brasil, dos Correios, e da Eletronorte. O documento apresentado por Serraglio também confirma que há uma evidente conexão de datas entre os saques dos mensaleiros e as votações que eram do interesse do governo. Outro ponto que parece comprovado, é o pagamento para a migração de parlamentares a partidos da base governista.

Indigesto para o governo Lula e o PT, o pacote de Serraglio bate de frente com a cassação de Roberto Jefferson e a recente absolvição de Romeu Queiroz. Obviamente, ele reforça o acerto do congresso no caso de José Dirceu.

Mas o relator da CPI dos correios parece ter cometido um erro muito comum nesta época do ano: esqueceu umas lembrancinhas do lado de fora do pacote. Serraglio excluiu o seu partido, o PMDB, da relação de partidos beneficiários e não listou os deputados que teriam recebido dinheiro do caixa dois do PT. Também não incluiu irregularidades apontadas pela auditoria do Banco do Brasil em antecipações feitas pela Visanet a agências de publicidade entre 2001 e 2002.

Distraído ele, não?

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Terça-feira, Dezembro 20, 2005


"O homem só é feliz pelo supérfluo. No comunismo, só se tem o essencial. Que coisa abominável e ridícula!"

(Nelson Rodrigues)

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Ele quer...E ela também

Percebo que não estou só nesta coisa de pedir o retorno de Roberto Jefferson. Desde ontem que as alternativas neste sentido se multiplicam em ritmo impressionante. Os motivos e os meios, é claro, são diferentes.

Primeiro foi o próprio deputado, que entrou com um pedido de liminar, junto ao Supremo Tribunal Federal, contra a decisão do plenário da Câmara que cassou seu mandato. Como vemos, ao contrário do que alardeava no auge da crise, Jefferson não "sublimou" tanto assim seu mandato.

Mas também a senadora Heloisa Helena, inspirada pela entrevista de Jefferson ao Jornal do Brasil no último domingo, está solicitando que ele seja novamente convocado a depor na CPI dos Correios. Na entrevista, o deputado declarou que o presidente Lula não só sabia como havia autorizado o mensalão.

Parece, enfim, que todos têm seus motivos. Os meus, como requer o atual clima político do país, são desprovidos de qualquer nobreza: quero circo de boa qualidade.

Já refiz o meu estoque de pipocas.
Que venha Roberto Jefferson.

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Segunda-feira, Dezembro 19, 2005


"O brasileiro não está preparado para ser 'o maior do mundo' em coisa nenhuma. Ser 'o maior do mundo' em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."

(Nelson Rodrigues)

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Inconseqüência

Já que absolveram o deputado Romeu Queiroz, decidi que quero a volta de Roberto Jefferson.

E nem se dêem ao trabalho de me escrever para explicar que isto é uma incoerência. Eu sei que Jefferson foi cassado porque, para conveniência de muitos, "não existe mensalão"; sei que a absolvição de Queiroz é coerente com isso - e a cassação de Dirceu incoerente.

Acontece que ninguém mais está preocupado em ser coerente, conseqüente ou honesto. Estão todos preocupados com a própria vidinha - principalmente aqueles parlamentares do PL, PL, PTB e PP , que lutaram para salvar a cabeça de Queiroz.

Então, quero o Jefferson de volta. Não pelos louváveis serviços que ele, talvez, pudesse prestar à nação. Mas pelo estilo vigoroso, pelos shows que daria na tribuna, pela voz de barítono aprendiz. Quero de volta a inteligência maquiavélica, a ironia fina, as gargalhadas estridentes e o olhar ameaçador.

Já que é pra ser circo, que pelos menos tenhamos um bom espetáculo.

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Domingo, Dezembro 18, 2005


"No Brasil, o marxismo adquiriu uma forma difusa, volatizada, atmosférica. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, apenas respirando."

(Nelson Rodrigues)

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